Eu amo o passado...
Vibro até minhas entranhas por filmes medievais. Amo velhos livros embolorados e nada me encanta tanto quanto paisagens que me transportam para séculos atrás com moças de espartilho e elegantes cavalheiros, de fraque e cartola, atirando seu sobretudo sobre a lama para que as garotas não sujassem os pés ao atravessar ruas enlameadas.
Eu odeio o presente...
Como não sei cozinhar, é claro que prefiro o fogão de lenha ao forno de microondas, a velha vitrola movida com corda ao moderno e barulhento aparelho de som. Detesto a televisão, tenho raiva da cirurgia a laser, não acredito em viagens espaciais, acho computador uma frescura, roupas de nylon , uma besteira e, se viajasse, preferiria o prosaico conforto de um carro de boi à gélida repidez de aviões a jato.
Opiniões não se discutem e quem ama o passado tem pleno direito de viver toda sua intensidade e curtir detalhes que nos retorna a falta de higiene da Idade Média ou as pestes que mataram multidões. Preferir exorcismo a antibióticos é uma questão de opinião, embora não seja opinião e sim impor aos que respeitam MODERNIDADE as torturas do passado.
Ainda existem professores, principalmente na Educação Superior, que não não pensam assim...
Esquecem que aulas inteiramente ditadas, sem direito a reflexões e opiniões, são resquicios da Idade Média, quando existiam pouquissimos exemplares de livros, e, nas universidades, o trabalho dos professores era o de apresentar suas leituras aos alunos. Por isso e pela necessidade de uma lupa para tão maçante tarefa é que eram chamados de "Lentes". Hoje os tempos são outros. Estudos de Piaget, discursos de Paulo Freire e teorias de Gardner, entre outros, mostram que a verdadeira aprendizagem somente se constrói quando existe interação plena entre professor e aluno, entre o tema e as experiencias pessoais do educando, entre o sujeito e o objeto de ensino.
Ensinar transformou-se em atividade mágica que nivela verdadeiros mestres e artífices de nnovos tempos. Construir pessoas é mais importante que faze-las. Passar uma aula ditando tem validade apenas quando o estático receptor é tão inimigo dos novos tempos quanto seu seuperado transmissor.
(Antunes. Celso, p, 68-69)
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